Os alquimistas estão chegando: estudantes do CSCM – Brasília transformam óleo de cozinha usado em sabão

“Quanto maiores forem as dificuldades para uma coisa, mais valiosa ela é para nós.”
(Pe. Gailhac)

Faz parte do projeto pedagógico da Rede Sagrado – CSCM pensar a educação a partir de uma perspectiva multidisciplinar, capaz de abranger as diversas áreas do conhecimento. A Fábrica – Escola de Sabão, construída por estudantes da nossa unidade de Brasília, é um bom exemplo de como disciplinas como Química, Matemática e Biologia, somadas a noções de empreendedorismo e ao tema iluminador do JPIC 2015 “Eu vim para servir”, trabalhado pelo Serviço de Orientação Religiosa, podem resultar em um projeto sustentável incrível de transformação do óleo de cozinha usado em sabão. Conversamos com o professor de Química responsável pelo projeto, Luís César de Oliveira, estudantes e equipe do colégio para saber um pouco mais sobre a criação, o trabalho e os planos da Fábrica de Sabão.

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BRS: Quando surgiu a fábrica de sabão?

Luís César: A Fábrica-Escola de Sabão surgiu da ideia de dois grupos orientados por mim na Mostra Científico- Cultural (MCC). Um grupo abordou problemas ambientais causados pelo descarte indevido do óleo usado de cozinha. O outro grupo abordou a transformação do óleo usado de cozinha em biodiesel. O projeto trouxe o tema iluminador “Eu vim para servir”, do JPIC 2015, para o cotidiano dos alunos, com apoio do Serviço de Orientação Religiosa – SOR. O objetivo era trabalhar a sustentabilidade, além de promover o desenvolvimento social e cognitivo dos estudantes.

BRS: De que forma a fábrica de sabão contribui para o colégio?

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Luís César: A Fábrica contribui otimizando a despesa do Colégio com a compra de materiais de limpeza, já que agora produzimos o sabão. O projeto auxilia na amenização do impacto ambiental causado pelo descarte incorreto do óleo e na conscientização de um ambiente sustentável por parte da comunidade acadêmica (colaboradores e alunos) e familiares da escola. Além disso, o projeto permite que os alunos exercitem o conhecimento apreendido em sala de aula, no processo de transformação do óleo usado em sabão no laboratório do Colégio.

BRS: Quantos litros de óleo são arrecadados por semana? Em quantos litros de sabão eles são convertidos?

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Luís César: Arrecadamos, mensalmente, a média de 20 litros de óleo descartados no nosso posto de coleta, e isso gera a média de 400 litros de sabão concentrado.

BRS: Quais outras matérias primas são necessárias?

Luís César: Além do tradicional hidróxido de sódio, utilizamos como matéria-prima álcool etílico como catalisador, agentes surfactantes e dispersantes.

BRS: De que forma a multidisciplinaridade é trabalhada junto aos estudantes?

foto: CSCM-Brasília

Luís César: Além da química, presente na reação de saponificação, a Fábrica- Escola de Sabão trabalha o Empreendedorismo nas questões da dinâmica e da realização do Projeto; a Comunicação e Marketing ao promover e divulgar a campanha para a comunidade acadêmica; a Matemática quando se trata dos cálculos relacionados à quantidade de reagentes e ao rendimento do produto; e a Biologia, encontrada no estudo dos prejuízos do óleo no ecossistema.

BRS: Há parcerias externas? Quais?

Luís César: Temos uma parceria com a equipe de químicos da Universidade de Brasília- UnB, com a arrecadação de material para a confecção do sabão. Ainda não temos outras parcerias, mas não existe nenhum impedimento.

BRS: Como é feita a seleção de estudantes que trabalham na fábrica de sabão?

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Luís César: Não temos nenhum processo seletivo, mas só permitimos, no processo de fabricação do sabão, alunos a partir do 9º Ano do Ensino Fundamental II, quando a disciplina de Química começa a ser abordada. Mas na campanha de divulgação do posto de coleta do óleo e na mobilização das famílias, todos os estudantes podem ajudar.

BRS: Quem pode fazer parte do projeto?

Luís César: Alunos que tenham aptidões na área de Química, disponibilidade e vontade de trabalhar. A única exigência é que o estudante seja comprometido com a causa e disposto a fazer diferença na comunidade educativa e na sociedade.

BRS: Há algum projeto de expansão da fábrica?

Luís César: Sim, existem projetos que visam à continuidade e expansão da Fábrica-Escola de Sabão, tais como: a utilização do sabão no Projeto Vida Pe. Gailhac, de forma que o projeto em questão seja autossuficiente em produtos de limpeza; a expansão da campanha do descarte correto do óleo usado para locais sede de ações sociais promovidos pelo SOR; o desenvolvimento de sabonetes de higiene para o uso nos banheiros do Colégio; a implementação deste Projeto em todas as unidades da Rede Sagrado, e, por último, a produção de essências com plantas do Cerrado e corante para a confecção do sabão. Para isso tudo, a Fábrica- Escola de Sabão está em processo de construção e se tornará uma empresa júnior dentro da instituição, sem fins lucrativos, somente sociais.

Aspas. Confira os depoimentos de quem faz parte do projeto:

Natália Azevedo – estudante do 2°B, do EM
Desde o início do projeto, o grupo se sentiu desafiado a colocar em prática a teoria proposta. Ao decorrer do tempo, com o apoio da direção, da coordenação do SOR e, principalmente, do professor-orientador, o objetivo saiu do papel e nos encheu de orgulho. Participar desta iniciativa me fez perceber o quanto as ciências, estudadas em sala de aula, estão presentes em nosso cotidiano. Colocar em prática este conhecimento científico, em prol de uma mudança significativa e sustentável na comunidade, deu sentido ao aprendizado, e este, portanto, tornou-se mais claro, amplo e prazeroso.

Professor Luís César de Oliveira – Professor de Química
Vivenciar a motivação dos alunos com o Projeto e a dedicação deles para que cada dia mais a Fábrica-Escola se aperfeiçoe e renda mais frutos dos que já vem rendendo, não tem preço. Como educador, meu papel é multiplicar conhecimento e conscientizar meus alunos da importância de levar uma vida mais sustentável, de poluir menos o meio ambiente, de economizar sendo ecológico e aprimorar o espírito protagonista neles. O Projeto não trata somente de coletar o óleo usado e transformá-lo em sabão, mas de motivar os jovens a se tornarem empreendedores e transformadores sociais, de fazer a diferença na comunidade educativa, nas suas casas, na sociedade.

Guilherme Andrade: Diretor Geral do Colégio Sagrado Coração de Maria de Brasília
O projeto Fábrica-Escola de Sabão, além de tratar-se de uma inovação, envolve vários elementos protagonistas: o empreendedorismo, a sustentabilidade e o trabalho em equipe, além da prática da Visão, Missão e Valores da Instituição. É fundamental que o processo de aprendizado ultrapasse as fronteiras da teoria e promova vivências multidisciplinares, motivando, envolvendo e preparando os alunos para um futuro cada vez mais desafiador. A Direção está sempre aberta a receber propostas inovadoras dos seus alunos e acadêmicos e colocá-las em prática. Este é um grande diferencial da nossa Escola. Quebramos paradigmas, transformamos a sociedade e, consequentemente, as nossas vidas.