Outubro Rosa: quando o apoio é fudamental

Por Thalita Isa Ramos –  assessora de comunicação estratégica do Colégio Sagrado Coração de Maria de Vitória

“Apoie a pessoa que está em tratamento, com o carinho necessário, respeitando seus desejos, pois cada um reage de um jeito diferente. Uns falam no assunto com tranquilidade e outros não gostam de falar. Acolham e, acima de tudo, saibam que tudo passa, o tempo difícil vai passar, como também o tempo bom não é eterno”. Assim sugere a pedagoga Anna Paula Caldeira Lima ao falar sobre a importância do apoio de familiares e amigos nesse momento tão difícil na vida de uma pessoa com câncer de mama.

A professora Maria Bernadette de Carvalho Azevedo e a encarregada de Serviços Gerais Ana Cristina Paula Marques, também vitoriosas na trajetória de luta contra a doença, dão o mesmo conselho. Histórias como as dessas mulheres são vividas diariamente por centenas de outras delas. Por isso, em uma entrevista sincera e motivadora, além de falarem sobre o apoio imprescindível  a quem está em tratamento, elas compartilham as suas histórias de superação e deixam uma mensagem de otimismo e perseverança a todos.

 

Rede Sagrado: O que vocês tiveram?

Anna Paula: tive um diagnóstico de Carcinoma na mama direita – câncer de mama.

Maria Bernadette: Neoplasia na mama direita.

Ana Cristina: Carcinoma ductal

RS: Qual foi a reação de vocês ao saber o resultado dos exames?

AP: No primeiro momento, quando havia uma suspeita, não acreditava, pois não estava sentindo nada. Após a confirmação do resultado da biópsia, me deu um certo desespero, perdi o chão, a insegurança é muito grande quando você escuta do médico que você está com um câncer. Na verdade, não usam essas palavras, mas sabemos que é e não é fácil. Mas, com o apoio da família, fui me sentindo acolhida e protegida. Meu marido esteve todo o tempo ao meu lado. Como tenho muita fé em Deus, pedi a Ele que cuidasse de mim e fosse feita a Sua vontade, mas me dando a força necessária para enfrentar todos os obstáculos daquele momento difícil. Consegui manter o sorriso no rosto sempre, tendo momentos de tristeza, normal na vida de qualquer um. Optei por não contar aos meus pais – de idade avançada, e aos meus filhos – pequenos na época. Após quinze dias da cirurgia, bem recuperada, conversei com eles mostrando que estava bem, disse que o que tirei era um câncer e que já não tinha mais nada no meu corpo e que não precisariam se preocupar, o que foi muito positivo.

MB: ao fazer a mamografia foi detectado o nódulo e retirado um fragmento para o exame histológico. Pedi a Deus que desse benigno, mas, quando saiu o resultado, constatando a malignidade, retornei a conversar com Ele e pedi que me desse força para encarar a situação, pois não queria ver minha família e meus amigos tristes. Estavam todos muito apreensivos, isso me preocupava.

AC: a impressão que tive foi como se tivessem jogado uma âncora de navio sobre a minha cabeça e eu estava afundando. Mas, fui forte e encarei a situação.

RS: Como foram os processos de tratamento e recuperação?

AP: tudo ocorreu muito rápido. Confirmado o diagnóstico, seis dias depois marcamos o agulhamento e em 14 dias fiz a cirurgia. Como descobri muito cedo, o tratamento foi a cirurgia do quadrante e já iniciei a quimioterapia oral. O tratamento é longo, foram cinco anos de medicação. Tudo é muito forte: cirurgia, o ambiente da clínica, pacientes em fase terminal. O tratamento é multidisciplinar com nutricionista, psicólogo, o que gera um cuidado maior com a nossa vida. Passei pelo tratamento sempre com muita positividade, o que ajudou a não ficar apenas com o negativo e sim perceber o quanto passei a me cuidar. Na clínica tive contato com um grande número de pessoas, participei de coral, oficinas, terapia de grupo. Essa troca foi muito positiva, pois você convive com outras pessoas, conhece os resultados de sucesso no tratamento do câncer. A cirurgia é como uma outra, requer os cuidados, mas hoje a cicatriz que carrego é o grande troféu da minha vida, não fiquei com nada negativo. A quimioterapia oral traz muitos efeitos colaterais, de estômago, varizes, sintomas da menopausa (e eu muito nova), baixa imunidade, cansaço, queda de cabelo, unhas fracas, entre outras, mas nada que não seja possível de viver com tranquilidade. Fiz todo tratamento sem parar de viver intensamente como gosto, continuei trabalhando, fazendo minhas atividades na igreja, terminei nova graduação que estava fazendo na época, participava das atividades de integração na clínica.

MB: o médico que fez o acompanhamento e me acompanha, o Dr. Marcos Ceccato, oncologista, sempre me passou muita tranquilidade e segurança, isso foi fundamental. Tirava todas as minhas dúvidas e sempre foi muito fervoroso e verdadeiro.

AC: eu, que nunca tinha cortado um dedo, precisar ir a um hospital, foi um momento muito tenso, de medo, ansiedade, pois acreditamos que nunca vá acontecer conosco. E você passa a viver um mundo totalmente diferente do que vivia.

RS: O que mais marcou vocês durante todos estes processos?

AP: aprendi muito sobre os sinais que o nosso corpo nos dá; a cuidar mais de mim. Percebi que é possível ter um diagnóstico e superar e de que saúde não é não adoecer, mas sim superar uma doença. Percebi a força que tenho e o tamanho da minha fé e, principalmente, o quanto Deus me ama e que nada e ninguém no mundo vai me fazer desistir dos meus sonhos. Passei a cuidar mais da minha alimentação e, acima de tudo, aprendi a viver um dia após o outro. Hoje tenho certeza da frase que sempre levo comigo: “Tudo que te acontece, te favorece, se você não reclama e ainda agradece”. Sempre busco olhar na vida tudo que há de positivo, pois mesmo na dificuldade há algo de bom. Reclamamos muito e valorizamos pouco tudo de bom que Deus nos dá. Luto todos os dias para viver da melhor maneira possível.

MB: a vida sofrida de muitos pacientes com quem convivi no hospital Santa Rita de Cássia. E, também, após o tratamento, fui liberada para fazer natação. Nesse período aprendi a nadar, sonhava em amanhecer e ir para a atividade, a cada dia um avanço.

AC: as sessões de quimioterapia foram realizadas em uma clínica e as sessões de radioterapia foram no hospital, mas o que mais me marcou foi a diferença de tratamento para quem tem plano de saúde e quem não tem. E a quantidade de crianças e idosos passando pela mesma situação, é muito dolorido. E, depois vieram outras preocupações, quando soube que iria passar pelo processo da quimioterapia, que iria perder os cabelos e os pelos do corpo.

RS: Qual mensagem vocês deixariam aos familiares das mulheres em tratamento contra o câncer de mama?

AP: apoie a pessoa que está em tratamento, com o carinho necessário, respeitando seus desejos, pois cada um reage de um jeito diferente. Uns falam no assunto com tranquilidade e outros não gostam de falar. Acolham e, acima de tudo, saibam que tudo passa, o tempo difícil vai passar, como também o tempo bom não é eterno, por isso, vivam intensamente o amor na medida certa. Valorize esse tempo para estar mais próximo da pessoa, fazendo algo que ela goste. Deus nos ama infinitamente e está conosco, está em mim e em você. Quando fazemos o bem ao outro estamos fazendo a nós mesmos e a Deus. Ter um diagnóstico de câncer de mama não é o fim e sim um meio de se cuidar, por isso quanto antes melhor para tratar.

MB: apoie o paciente, mostrando que a vida é um bem precioso e que Deus não abandona seus filhos e todos nós devemos viver bem, cada dia como se fosse o último, pois podemos partir de outras formas mais inesperadas. Então, só nos cabe enquanto viver, fazer o bem sem olhar a quem, pois assim teve sentido nosso estágio aqui.

AC: que tenham fé em Deus e em Nossa Senhora, que fale, desabafe, conte, relate e explore esse momento vivido, pois assim, a sua carga ficará mais leve. A força positiva dos familiares, dos amigos e daquelas pessoas que não lhe conhece passa a emanar energia positiva. Acreditar em você, em Deus e em Nossa Senhora faz toda diferença.

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