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Falando sobre criação com apego

Postado em: 13 de janeiro de 2023

A teoria da criação com apego foi desenvolvida pelo pediatra norte-americano William Sears, sob o termo “attachment parenting” e é uma filosofia de parentalidade. De acordo com ela, os vínculos emocionais entre pais e filhos durante a primeira infância são muito importantes no desenvolvimento de relacionamentos saudáveis na vida adulta.

Trata-se de um método de criação com empatia e proximidade corporal, que promove o afeto mútuo entre pais e bebês. O objetivo é formar pessoas seguras, empáticas, autoconfiantes e maduras emocionalmente. Quer saber mais? Conheça agora a criação com apego.

Os 8 princípios da criação com apego

A teoria da criação com apego pode ser explicada em 8 pilares, que são os recursos usados pelas famílias para colocá-la em prática. Não são regras, são princípios para guiar a relação entre pais e filhos. Confira quais são e como aplicá-los na rotina familiar:

1. Preparar-se para gestação, nascimento e criação

Desde antes do nascimento de um filho, os pais já devem preparar-se para tudo o que vão passar juntos. Isso significa comunicar-se com o parceiro abertamente, sobre expectativas da maternidade e opções para o parto, por exemplo. Também é importante pesquisar sobre os cuidados com o recém-nascido, descobrindo quais são suas necessidades reais do bebê.

O ideal é vivenciar todas as etapas da gravidez com empoderamento e preparo físico e psicológico. Por isso, a criação com apego também envolve resolver traumas da sua própria infância, de forma que seus filhos não sofram com comportamentos reproduzidos inconscientemente. 

2. Alimentar com amor e respeito

A amamentação é um momento de fortalecer o vínculo entre mãe e bebê, ainda que seja feito com leite artificial. Até mesmo no caso de bebês que não mamam, o uso da chupeta atende à necessidade de sucção. O importante é criar um momento de afeto e conexão com ele.

A amamentação deve ser em livre demanda e o desmame deve ser conduzido com gentileza e cuidado. Após a introdução de alimentos sólidos, devemos ter momentos de alimentação em família, com diálogo e conforto. 

3. Responder com sensibilidade

Responder com sensibilidade às demandas da criança exige colocar em prática sua empatia. É normal que bebês e crianças mais novas desejem contato físico constante, pois buscam por segurança. Pedidos por afeto devem ser respondidos com afeto. Já em momentos de raiva ou frustração, responda com sensibilidade, tente entender o que a criança sente e ajude-o a se acalmar.

Entretanto, não devemos forçar crianças a abraçar ou demonstrar afeto quando elas não estão preparadas para isso, especialmente com pessoas que não são da convivência diária delas ou com quem não possuem vínculo emocional. Respeite os sentimentos e necessidades da criança.

4. Usar contato afetivo

Conforme já comentamos, os bebês têm necessidade de contato físico para se sentirem seguros. Tanto no caso deles quanto para crianças de todas as idades, a interação física contribui para que se sintam amados e protegidos. Assim, ofereça abraços, colo e carinho, o contato físico também é amor.

5. Garantir sono seguro, física e emocionalmente

As necessidades da criança devem ser atendidas tanto durante o dia quanto durante a noite. Por isso, a criação com apego propõe cama compartilhada ou co-sleeping, quando a criança tem berço ou cama própria no quarto dos pais. Outra ideia, principalmente para crianças um pouco maiores, é compartilhar o quarto com os irmãos. 

A ideia é tornar as noites mais confortáveis, tranquilas e agradáveis. Cabe aos pais auxiliar os filhos na hora de entender que o cansaço ou o sono chegaram, para então fazer com que relaxem, com uma rotina tranquila e uma história na cama, por exemplo.

6. Cuidar com consistência e amor

Sabemos que a licença-maternidade é curta e que depois dela precisamos voltar ao trabalho, tornando a separação entre mãe e filho inevitável. Nesse cenário, é importante encontrar cuidadores de confiança, de preferência com uma conexão emocional com a criança. 

Além disso, deve-se ter uma rotina que permita cuidar com consistência e amor. Os pais precisam estar em harmonia entre si e também com os cuidadores, para que a criança tenha uma rotina. Alternar os cuidados entre mãe e pai é bom para que ambos possam desenvolver um vínculo com o bebê.

7. Praticar a disciplina positiva

Castigos físicos estão fora de cogitação no escopo da criação com apego. Deixe de lado a agressividade e o punitivismo, e abra mais espaço para empatia. A regra é tratar a outra pessoa como você gostaria de ser tratado. 

Dessa forma, o respeito e a gentileza são protagonistas. Utilize estratégias como distração, substituição, prevenção e compreensão para guiar a criança, entendendo quais são as necessidades dela e mostrando o melhor caminho. Lembre-se que seu exemplo é mais poderoso do que qualquer regra.

8. Ter equilíbrio entre vida pessoal e familiar

Encontrar equilíbrio entre a vida pessoal e a vida familiar pode ser difícil, mas é relevante que o convívio seja saudável e que todos os membros da família estejam felizes. Devemos entender que as necessidades de todos são importantes, e que algumas vezes precisamos ceder, enquanto em outras quem cede são outras pessoas. 

Principalmente no caso das mães, é importante ter tempo para dedicar a si mesma, cultivar amizades e evitar a sobrecarga com a vida profissional, maternidade e afazeres domésticos.

A criação com apego envolve não apenas a criança, mas também o relacionamento entre os integrantes da família. Ao desenvolver vínculos fortes e construir memórias positivas, a criança também cria uma relação melhor consigo mesma, tornando-se mais confiante e segura. 

O cuidado com a saúde emocional começa na infância! O que você achou da criação com apego? Compartilhe esse post no seu grupo de pais e escute outras opiniões!