Sete dicas para as crianças desenvolveram uma boa leitura

O desenvolvimento da leitura deve ser estimulado desde a infância, pois, como se sabe, ela melhora o aprendizado dos estudantes, estimula o bom funcionamento da memória e auxilia na capacidade de interpretação, além de proporcionar ao leitor um conhecimento amplo sobre assuntos diversos. Assim, para que a criança crie o hábito de leitura, a participação da família é de suma importância nesse processo.

A “Ciranda Literária” é um trabalho realizado no Colégio Sagrado Coração de Maria (Vitória) com os estudantes desde o Maternal II e tem o objetivo de fortalecer ainda mais o hábito e o gosto pela literatura. Em sala de aula, é perceptível o quanto as crianças se envolvem com o projeto.

“Mesmo tão pequenas, são capazes de acompanhar as idas e os retornos dos livros à escola, relatam como foi o momento de contação da história com os pais, verbalizam do que mais gostam nas narrativas e demonstram muito entusiasmo no dia de levar o livro para casa. Desse modo, a “Ciranda Literária” é uma importante ferramenta para a construção do gosto pela literatura e do hábito da leitura, além de propiciar o trabalho com diversos conceitos naturais, matemáticos, sociais e da linguagem oral e escrita”, explica a professora do Maternal II, Deyse Ferrari.

Leitura em casa

Para que as famílias aproveitem de forma agradável e eficaz o momento da leitura e da contação de histórias com seus filhos, elaboramos, em sete dicas, algumas orientações:

  1. Escolha um lugar agradável e bem iluminado, isento de materiais e ruídos que possam dispersar facilmente a atenção da criança. Esse local pode ser sempre associado à leitura. Dessa maneira, o pequeno já saberá que estar ali significa dedicar-se ao livro;
  2. Escolha um horário em que a criança esteja tranquila para ler e contar histórias. Também não é aconselhável ler apenas antes de dormir, pois a criança pode estar cansada e não aproveitar o momento corretamente. É necessário que ela tenha tempo de exercitar a imaginação depois de ouvir a história;
  3. Antes de começar a leitura, apresente à criança a capa do livro, questionando sobre as imagens contidas nela. Assim, ela pode usar a imaginação para descobrir de que se trata a história.
  4. Diga o nome do autor, explicando que ele imaginou e escreveu essa história, colocando-a no livro para que todas as pessoas pudessem apreciá-la. Da mesma forma, não releve quem é o ilustrador, mostre que existe uma pessoa que cria a história e outra que desenha sobre a história, pois, embora possa acontecer, dificilmente a mesma pessoa faz as duas coisas.  Portanto, mostrar as fotos de ambos no final do livro também é muito válido;
  5. Leia todas as palavras do texto. Isso é importante para o enriquecimento do vocabulário da criança. Quando achar que uma palavra é de difícil entendimento, diga outra correspondente depois, para que ela associe seu significado. Na frase “O lobo tinha uma boca enorme”, por exemplo, você pode dizer: “O lobo tinha uma boca enorme, muito grande”.
  6. Crie um espaço onde seu filho possa guardar os livros. Esse acervo deve ser ampliado sempre que possível e os livros precisam ser apropriados à idade da criança. Assim, as literaturas devem acompanhar a evolução e o crescimento delas;
  7. Leia o livro até o final para depois estimular seu filho a dizer o que mais gostou da história e a comentar sobre ela. Isso ajuda a criança a não se perder durante a narrativa.

Para Elane Dellacqua Passos, mãe dos alunos João Paulo (três anos) e Catarina (cinco anos), o incentivo à leitura deve começar desde muito cedo na infância, pois trabalha a imaginação, promove o aumento do vocabulário infantil e de memória auditiva, tão importantes no processo de alfabetização. “Fiquei muito satisfeita em saber que, no colégio, as crianças têm esse contato com os livros desde o Maternal II, tanto no “Dia do livro”, quanto na “Ciranda Literária”. Os meus filhos esperam ansiosos para compartilhar os livros com os colegas e para vivenciar a contação de histórias, o que nos aproxima ainda mais enquanto família”.

É necessário entender que ler é diferente de contar histórias. Quando se lê uma história, as palavras do livro são seguidas fielmente, valorizando o texto da forma como o autor escreveu. Já quem conta uma história usa de improvisações, utilizando mais elementos da linguagem oral, interagindo com o ouvinte e agregando elementos à narrativa, como gestos, olhares, sons e expressões. Ambas são importantíssimas, pois a primeira valoriza o objeto cultural livro e a segunda faz parte da nossa cultura de contar histórias, exercitando a imaginação e a narrativa que perpassa geração em geração.

Deyse Ferrari, formada em Pedagogia, com pós-graduação em Educação Infantil e Psicopedagogia, é professora do Maternal II, do Colégio Sagrado Coração de Maria (Vitória), desde 2011.

Outubro Rosa: quando é o homem a desenvolver a doença

por Fernanda Morais – assessora de comunicação estratégica do Colégio Sagrado Coração de Maria de Belo Horizonte

Quando abraçamos uma campanha como esta, assumimos o compromisso de conscientizar toda a nossa Comunidade Educativa sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. E não poderíamos encerrar este mês de forma mais especial.  Erika Melo de Souza, mãe da nossa estudante Ana Paula Melo de Souza Roedel Evangelista, nos honrou com este emocionante depoimento sobre a relevância de campanhas de prevenção e sobre um caso na família: o câncer de mama masculino.

“Parabéns à equipe da Rede Sagrado pela iniciativa de participar da campanha do Outubro Rosa. Gostaria de conversar um pouquinho com vocês a respeito de um problema quase invisível nessa campanha tão importante: o câncer de mama masculino. É aquela doença que muita gente diz: Uai, homem também tem câncer de mama? Pois é, tem sim.

A história de hoje é de um deles, meu pai, o Sr. João Galdino de Souza Filho. Ele foi diagnosticado com um tipo de câncer conhecido como “mamilo invertido”. Quando recebemos a notícia, a mastologista nos informou que se tratava de um câncer antigo. Então passamos a conviver com a cirurgia de mastectomia, quimioterapia, radioterapia e internações. Podemos dizer que tivemos sorte de tê-lo conosco durante 9 anos depois do diagnóstico. Durante esse período, ele teve a melhor sobrevida possível e nunca deixou de fazer tudo o que gostava. Mas nós o perdemos. No próximo sábado, 28/10, completará 7 anos de sua partida.

Fica a saudade e também fica a dúvida em nós, filhas, filhos e netas: será que também temos o mesmo gene que o deixou doente? Será que o cigarro, que foi companheiro do meu pai durante décadas, contribuiu com a doença?

O que sei é que, provavelmente, se naquela época tivéssemos sido alertados por campanhas e soubéssemos que homem também pode ter câncer de mama, talvez ele pudesse ter sido diagnosticado precocemente e, quem sabe, não estaria aqui hoje vendo a Aninha, sua neta e aluna do Sagrado, crescer!”

Outubro Rosa: quando o apoio é fudamental

Por Thalita Isa Ramos –  assessora de comunicação estratégica do Colégio Sagrado Coração de Maria de Vitória

“Apoie a pessoa que está em tratamento, com o carinho necessário, respeitando seus desejos, pois cada um reage de um jeito diferente. Uns falam no assunto com tranquilidade e outros não gostam de falar. Acolham e, acima de tudo, saibam que tudo passa, o tempo difícil vai passar, como também o tempo bom não é eterno”. Assim sugere a pedagoga Anna Paula Caldeira Lima ao falar sobre a importância do apoio de familiares e amigos nesse momento tão difícil na vida de uma pessoa com câncer de mama.

A professora Maria Bernadette de Carvalho Azevedo e a encarregada de Serviços Gerais Ana Cristina Paula Marques, também vitoriosas na trajetória de luta contra a doença, dão o mesmo conselho. Histórias como as dessas mulheres são vividas diariamente por centenas de outras delas. Por isso, em uma entrevista sincera e motivadora, além de falarem sobre o apoio imprescindível  a quem está em tratamento, elas compartilham as suas histórias de superação e deixam uma mensagem de otimismo e perseverança a todos.

 

Rede Sagrado: O que vocês tiveram?

Anna Paula: tive um diagnóstico de Carcinoma na mama direita – câncer de mama.

Maria Bernadette: Neoplasia na mama direita.

Ana Cristina: Carcinoma ductal

RS: Qual foi a reação de vocês ao saber o resultado dos exames?

AP: No primeiro momento, quando havia uma suspeita, não acreditava, pois não estava sentindo nada. Após a confirmação do resultado da biópsia, me deu um certo desespero, perdi o chão, a insegurança é muito grande quando você escuta do médico que você está com um câncer. Na verdade, não usam essas palavras, mas sabemos que é e não é fácil. Mas, com o apoio da família, fui me sentindo acolhida e protegida. Meu marido esteve todo o tempo ao meu lado. Como tenho muita fé em Deus, pedi a Ele que cuidasse de mim e fosse feita a Sua vontade, mas me dando a força necessária para enfrentar todos os obstáculos daquele momento difícil. Consegui manter o sorriso no rosto sempre, tendo momentos de tristeza, normal na vida de qualquer um. Optei por não contar aos meus pais – de idade avançada, e aos meus filhos – pequenos na época. Após quinze dias da cirurgia, bem recuperada, conversei com eles mostrando que estava bem, disse que o que tirei era um câncer e que já não tinha mais nada no meu corpo e que não precisariam se preocupar, o que foi muito positivo.

MB: ao fazer a mamografia foi detectado o nódulo e retirado um fragmento para o exame histológico. Pedi a Deus que desse benigno, mas, quando saiu o resultado, constatando a malignidade, retornei a conversar com Ele e pedi que me desse força para encarar a situação, pois não queria ver minha família e meus amigos tristes. Estavam todos muito apreensivos, isso me preocupava.

AC: a impressão que tive foi como se tivessem jogado uma âncora de navio sobre a minha cabeça e eu estava afundando. Mas, fui forte e encarei a situação.

RS: Como foram os processos de tratamento e recuperação?

AP: tudo ocorreu muito rápido. Confirmado o diagnóstico, seis dias depois marcamos o agulhamento e em 14 dias fiz a cirurgia. Como descobri muito cedo, o tratamento foi a cirurgia do quadrante e já iniciei a quimioterapia oral. O tratamento é longo, foram cinco anos de medicação. Tudo é muito forte: cirurgia, o ambiente da clínica, pacientes em fase terminal. O tratamento é multidisciplinar com nutricionista, psicólogo, o que gera um cuidado maior com a nossa vida. Passei pelo tratamento sempre com muita positividade, o que ajudou a não ficar apenas com o negativo e sim perceber o quanto passei a me cuidar. Na clínica tive contato com um grande número de pessoas, participei de coral, oficinas, terapia de grupo. Essa troca foi muito positiva, pois você convive com outras pessoas, conhece os resultados de sucesso no tratamento do câncer. A cirurgia é como uma outra, requer os cuidados, mas hoje a cicatriz que carrego é o grande troféu da minha vida, não fiquei com nada negativo. A quimioterapia oral traz muitos efeitos colaterais, de estômago, varizes, sintomas da menopausa (e eu muito nova), baixa imunidade, cansaço, queda de cabelo, unhas fracas, entre outras, mas nada que não seja possível de viver com tranquilidade. Fiz todo tratamento sem parar de viver intensamente como gosto, continuei trabalhando, fazendo minhas atividades na igreja, terminei nova graduação que estava fazendo na época, participava das atividades de integração na clínica.

MB: o médico que fez o acompanhamento e me acompanha, o Dr. Marcos Ceccato, oncologista, sempre me passou muita tranquilidade e segurança, isso foi fundamental. Tirava todas as minhas dúvidas e sempre foi muito fervoroso e verdadeiro.

AC: eu, que nunca tinha cortado um dedo, precisar ir a um hospital, foi um momento muito tenso, de medo, ansiedade, pois acreditamos que nunca vá acontecer conosco. E você passa a viver um mundo totalmente diferente do que vivia.

RS: O que mais marcou vocês durante todos estes processos?

AP: aprendi muito sobre os sinais que o nosso corpo nos dá; a cuidar mais de mim. Percebi que é possível ter um diagnóstico e superar e de que saúde não é não adoecer, mas sim superar uma doença. Percebi a força que tenho e o tamanho da minha fé e, principalmente, o quanto Deus me ama e que nada e ninguém no mundo vai me fazer desistir dos meus sonhos. Passei a cuidar mais da minha alimentação e, acima de tudo, aprendi a viver um dia após o outro. Hoje tenho certeza da frase que sempre levo comigo: “Tudo que te acontece, te favorece, se você não reclama e ainda agradece”. Sempre busco olhar na vida tudo que há de positivo, pois mesmo na dificuldade há algo de bom. Reclamamos muito e valorizamos pouco tudo de bom que Deus nos dá. Luto todos os dias para viver da melhor maneira possível.

MB: a vida sofrida de muitos pacientes com quem convivi no hospital Santa Rita de Cássia. E, também, após o tratamento, fui liberada para fazer natação. Nesse período aprendi a nadar, sonhava em amanhecer e ir para a atividade, a cada dia um avanço.

AC: as sessões de quimioterapia foram realizadas em uma clínica e as sessões de radioterapia foram no hospital, mas o que mais me marcou foi a diferença de tratamento para quem tem plano de saúde e quem não tem. E a quantidade de crianças e idosos passando pela mesma situação, é muito dolorido. E, depois vieram outras preocupações, quando soube que iria passar pelo processo da quimioterapia, que iria perder os cabelos e os pelos do corpo.

RS: Qual mensagem vocês deixariam aos familiares das mulheres em tratamento contra o câncer de mama?

AP: apoie a pessoa que está em tratamento, com o carinho necessário, respeitando seus desejos, pois cada um reage de um jeito diferente. Uns falam no assunto com tranquilidade e outros não gostam de falar. Acolham e, acima de tudo, saibam que tudo passa, o tempo difícil vai passar, como também o tempo bom não é eterno, por isso, vivam intensamente o amor na medida certa. Valorize esse tempo para estar mais próximo da pessoa, fazendo algo que ela goste. Deus nos ama infinitamente e está conosco, está em mim e em você. Quando fazemos o bem ao outro estamos fazendo a nós mesmos e a Deus. Ter um diagnóstico de câncer de mama não é o fim e sim um meio de se cuidar, por isso quanto antes melhor para tratar.

MB: apoie o paciente, mostrando que a vida é um bem precioso e que Deus não abandona seus filhos e todos nós devemos viver bem, cada dia como se fosse o último, pois podemos partir de outras formas mais inesperadas. Então, só nos cabe enquanto viver, fazer o bem sem olhar a quem, pois assim teve sentido nosso estágio aqui.

AC: que tenham fé em Deus e em Nossa Senhora, que fale, desabafe, conte, relate e explore esse momento vivido, pois assim, a sua carga ficará mais leve. A força positiva dos familiares, dos amigos e daquelas pessoas que não lhe conhece passa a emanar energia positiva. Acreditar em você, em Deus e em Nossa Senhora faz toda diferença.