Ações sustentáveis são possíveis? Sim! Conheça o projeto “Cuidando da Casa Comum”

Você tem a real vontade de planejar e colocar em prática ações sustentáveis? Se sim, precisa conhecer o projeto “Cuidando da Casa Comum”, criado por quatro professoras do Colégio Sagrado Coração de Maria – Brasília – Fernanda Layse Ramos Aroucha, Ingred de Paiva Liberino, Maria Elisabete da Silva Szervinsk e Ciene Passos Soares.

3Alunos durante abertura do projeto

A intenção das educadoras é a de fazer com que os alunos, pais e toda a comunidade escolar compreendam que temos apenas este planeta para viver e que devemos cuidá-lo diariamente. Para isso, elas desenvolveram diversas atividades com a preocupação de aproximá-las ao máximo da realidade. Assim, assuntos como descarte do lixo, uso da água e energia elétrica e o desmatamento foram priorizados. A ideia foi criar um link entre esses assuntos e às disciplinas trabalhadas em sala de aula.

Uma das atividades realizadas foi pesquisa sobre os rios e riachos da região Centro-Oeste do Brasil. Desta forma, os alunos entenderam a importância da água para manutenção da vida no planeta, além de observarem o que está próximo a eles. Além disso, foi possível a reflexão e identificação dos lugares onde ocorre o desperdício. E, após essa etapa, os alunos ainda confeccionaram cartazes falando sobre a correta utilização da água nos lugares que frequentam.

1                                          Alunos apresentando os cartazes 

Já outra parte interessante do projeto foi a promoção da conscientização sobre o correto descarte dos resíduos e sobre a possibilidade de reutilizá-lo em algo útil. E, com base nesses diálogos, os próprios alunos propuseram a criação de brinquedos usando, exclusivamente, materiais recicláveis. Brinquedos esses que foram apresentados a integrantes de outro projeto, chamado “Convivendo”, quando foi construído um bilboquê também de materiais que pudessem ser reciclados.

4                                              Construção do bilboquê 

Em sala de aula, durante aulas de sustentabilidade, as educadoras ainda trataram sobre a crise ecológica que o nosso planeta atravessa. Em conjunto, pensaram em ideias para melhorá-lo e apresentaram uma sacola sustentável e o mascote do projeto aos alunos. Ambos são feitos de materiais reciclados, que foram enviados, diariamente, para uma família diferente.  E, a partir da vivência proporcionada pela sacola sustentável em família, os alunos fizeram mais cartazes, com dicas de como as pessoas podem fazer uso dos recursos naturais de forma mais consciente. Também foi produzido um mural, onde foi exposto o desenho das mãos dos estudantes, assim como registradas as atitudes sustentáveis propostas por eles.

2                                   Alunos  segurando a mascote do projeto

O projeto “Cuidando da Casa Comum”, ainda em andamento, foi celebrado durante a festa da família. No evento, várias receitas de bolo utilizando restos de alimentos que seriam jogados no lixo foram feitas e servidas. Todos adoraram e elogiaram a proposta.

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Projeto “Café e Convescote literário”: Saiba como trazer a literatura para mais perto dos estudantes

Trazer a literatura para mais perto do dia a dia dos estudantes do Ensino Médio regular e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Esse é o principal objetivo do projeto “Café e Convescote literário”, de autoria de Bruna Gaio Nardi Pinheiro, professora de Língua Portuguesa e Literatura do Colégio Sagrado Coração de Maria – Rio de Janeiro.

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Implantado há dois anos, o belo trabalho da educadora é dividido em duas etapas: a preparação e sua realização efetiva, sendo que as atividades desenvolvidas pelos alunos do EJA são intituladas de “Café literário” e as do Ensino Médio regular de “Convescote literário”.

1A ideia é que, primeiramente, todos os alunos elaborarem textos autorais sobre qualquer tema que desejarem. Em seguida, eles mostrem suas produções textuais ao professor responsável, dentro de um prazo determinado. Assim, há uma correção ortográfica e, posteriormente, devolução. Feito isso, cada estudante tem como dever de casa passar seu texto a limpo, além de digitá-lo e não identificá-lo com seu nome. Afinal, a intenção é que todos sejam lidos livremente durante um café, composto por alimentos e bebidas levados pelos próprios alunos. Uma espécie de “piquenique”.

Durante a confraternização, os estudantes fazem as leituras dos textos. No caso do EJA, as carteiras e cadeiras das salas são posicionadas em círculo para que todos possam ver e ouvir melhor. Já para as turmas do Ensino Médio regular esse momento é feito ao ar livre.

img_20150401_204029630_hdr-300x168Aleatoriamente, os textos são distribuídos pelo professor, mas tomando o cuidado para que ninguém fique com sua própria produção. Entre as obras literárias apresentadas também estão presentes textos de autores consagrados, mas sem a identificação. E, depois da leitura, alguns estudantes são convidados a falar sobre os textos apresentados, além de terem que tentar adivinhar de quem é a obra.  “O objetivo da atividade é o de levantar a autoestima daquele que tiver seu texto classificado pelos colegas como de autor famoso, assim como apresentar textos e autores até então desconhecidos para eles. A brincadeira do Café Literário acaba constituindo uma porta mágica de acesso a um mundo tão vasto e rico, como o da Literatura”, explica a professora Bruna, idealizadora do projeto.

A educadora também ressalta que, devido ao projeto, diversos estudantes passam a pesquisar, ler e escrever mais. Mas, para ela, a principal conquista é fazer com que os jovens “não vejam mais a Literatura como um bicho de sete cabeças, não tenham mais restrição ou bloqueios com a disciplina”.

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Projeto “Aprendendo com os animais”: Preservar o meio ambiente é dever de todos!

Preservar o meio ambiente, valorizar e promover ações que concretizem esse grande bem comum. Esse é um dos principais objetivos do projeto “Aprendendo com os animais”, realizado no Colégio Sagrado Coração de Maria – Ubá, com autoria de Maria Tereza Alves de Paula Arias, Professora Regente do Maternal III, e co-autoria de Flaviane de Araújo Ribeiro, Coordenadora Pedagógica de Segmento da Educação Infantil.

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O projeto englobou todas as séries da Educação Infantil. E, de forma bastante positiva, as educadoras conseguiram oferecer aos pequenos a oportunidade de não só estudar os animais de um modo geral, mas de aprender a real importância da preservação de todos os seres vivos, especialmente daqueles que nos cercam. Para isso, foram propostas as seguintes atividades:

  • – Leitura de imagens por meio da interpretação da obra de Tarsila do Amaral “A Cuca”;
  • – Conto e reconto de histórias e diversos tipos de texto, como “A cigarra e a formiga”, “O Ratinho e o Leão”, “Baby Jabuti”, “Bichos da Noite”, “Coelhinho Teobaldo”, “Festa no Céu”, “Animais da Fazenda”, “Animais da Floresta”, “O Toró”, “Bichonário”, entre outros;
  • – Encenação, por parte dos alunos, do clássico conto “O casamento da Dona Baratinha”;
  • – Realização de brincadeiras, canto e dança com músicas do Grupo Palavra Cantada;
  • – Confecção de animais em material reciclável, como rolinhos de papel e garrafas pet;
  • – Pintura e modelagem de bichos de massinha;
  • – Confecção de cartazes para expressar a importância de cada animal;
  • – Produção de omelete e biscoitinhos de nata na Cozinha Experimental, com receitas tiradas do livro “Receitas da Vovó”;
  • – Visita ao Laboratório de Ciências para conhecimento de uma nobre moradora do local: uma aranha;
  • – Contato com imagens de revistas e uso do datashow para conhecimento da diferença entre os animais ferozes e dóceis;
  • – Organização de “Rodinha de conversa” para partilha de como os animais devem ser criados;
  • – Aprendizado das características comuns e diferentes entre os animais por meio da classificação, coleta e organização de dados com gráficos e tabelas;
  • – Estudo e pesquisa dos tipos de revestimento de pele e número de patas dos animais, se são  terrestres ou aquáticos,  ferozes ou domésticos;
  • – Oferta de palestra interativa e ministrada por uma Médica Veterinária e um Zootecnista aos pais.


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Após a realização de todas as atividades acima, ainda foi organizada uma exposição com a intenção de fechar, com chave de ouro, o projeto. Denominado de “Expo Bichos”, o evento ocorreu no espaço da Educação Infantil, onde os alunos e pais tiveram contato direto com diversos animais. A intenção foi que as crianças pudessem vivenciar tudo o que foi estudado.

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Estimular linguagem oral e escrita dos alunos é possível! Conheça o projeto “Estojo de nomes e letras”

Com o objetivo de estimular a linguagem oral e a escrita dos alunos do Maternal III, cinco professoras do Colégio Sagrado Coração de Maria – Vitória – Cíntia Rodrigues Cremasco, Karoline Lopes, Lívia Magna Santana Ribeiro, Ludmila Campi Xavier e Anna Paula Caldeiras – criaram o projeto “Estojo de Nomes e Letras”.

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A proposta principal é fazer com que a criança identifique seu nome e dos colegas ao observá-los escritos em diferentes materiais, todos sempre armazenados em, literalmente, estojos individuais.

Essa brilhante ideia das educadoras ainda possibilita que os pequenos aprendam, facilmente, quais são as letras que compõem seu nome, assim como qual é a quantidade de letras necessárias para escrevê-lo, por exemplo. Afinal, o principal propósito do trabalho com a escrita do nome na Educação Infantil é fazer com que a criança se reconheça como um sujeito importante que possui um nome, além de propiciar a aprendizagem correta da escrita.

Mas, se você pensa que a criatividade dessas professoras parou por aí, está muito enganado (a)! Confira, agora, outros benefícios e o real trabalho de diferentes habilidades dos alunos a partir do projeto “Estojo de Nomes e Letras”:

  • Reconhecer a escrita do próprio nome ao identificar seus pertences e trabalhos;
  • Identificar a letra inicial do próprio nome e a dos colegas;
  • Compreender como escreve as palavras;
  • Utilizar a contagem oral nas brincadeiras e em situações nas quais as crianças reconheçam suas necessidades;
  • Classificar as letras por meio de características semelhanças e/ou diferenças entre objetos e pessoas;
  • Quantificar elementos ao expandir, gradativamente, a recitação;
  • Participar de atividades que envolvam histórias, brincadeiras, jogos e canções que digam respeito às tradições culturais em geral;
  • Adotar atitudes de cuidado, respeito e cooperação com todos;
  • Cooperar na organização da sala, dos brinquedos e dos seus pertences;
  • Reconhecer o outro nas diferenças e nas similaridades;

 

Como funciona o projeto?

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Antes de iniciar o “Estojo de Nomes e Letras”, as famílias dos alunos são informadas, durante reunião, em relação à importância da didática da proposta como um todo. Nesse mesmo momento, os pais também são orientados sobre como poderão ajudar seus filhos na utilização do estojo em casa. E, já em sala de aula, as crianças recebem o tão desejado estojo personalizado da escola, juntamente com cópias dos nomes da turma, fotos de todos os colegas e um alfabeto móvel. Na sequência, todo esse material é encaminhado às famílias com as devidas orientações relacionadas à finalização da confecção do estojo. Mas, ao implantarem o projeto com os alunos, as professoras preparam um momento lúdico e prazeroso, a fim de provocar encantamento e curiosidade ao novo recurso que será utilizado. Assim, os estudantes têm a grande chance de manusearem as letras, fotos e nomes, além de trocarem ideias e lançarem suas primeiras hipóteses durante dinâmica. Já após esse passo, as educadoras combinam com a própria turma como será feito o bom uso do estojo, como o planejamento das atividades que serão desenvolvidas dentro e fora de sala.

 

Repercussão

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“Tive duas experiências com o estojo de letras e foram muito proveitosas. No Maternal III, meus filhos tinham fácil acesso às letras, o que aumentou o interesse na escrita. Eles sentavam para fazer o dever de casa com o estojo debaixo do braço. E, até hoje, em séries mais avançadas, o estojo de letras os auxiliam nas tarefas”, conta Julia Arantes Andião Tauil.

Fazendo uso do Estojo de Nomes e Letras do Maternal III, que alia fotos e os nomes dos amigos da sala de aula, surgiu na minha filha um interesse enorme pela escrita. E, antes mesmo da metade do ano, ela já escrevia seu nome e o da maioria dos amigos sem auxílio nenhum! É incrível perceber nela a sede de aprender a escrever tudo que fala. Posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que esse ciclo incessante do saber foi iniciado com este estojo”, relata Daniele Thomazelli Rodrigues Martins.

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Projeto “Matemática também é arte”: Aprenda Geometria de forma lúdica e eficaz

Pensando em ensinar Geometria de forma mais lúdica e eficaz, Adriana Aparecida Pereira Rocha, professora de Matemática do Colégio Sagrado Coração de Maria – Belo Horizonte, criou o projeto “Matemática também é arte”, aplicado nas turmas do 6º ano do Ensino Fundamental II.

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 Socialização durante o trabalho

Na primeira etapa do projeto, foi trabalhada a confecção de mandalas, com as quais os alunos mantiveram contato com os instrumentos do desenho geométrico (compasso, esquadro e transferidor). Assim, eles tiveram a oportunidade de aprimorar alguns conteúdos, como estudo das figuras planas e dos sólidos geométricos. Além disso, o projeto também possibilitou que os estudantes trabalhassem e explorassem, de forma descontraída e sem perder o respeito ao rigor matemático, termos, ideias e conceitos matemáticos importantes: o conceito de bissetriz, de ponto médio e de alinhamento de pontos de polígonos regulares inscritos numa circunferência.

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 Mandalas sendo coloridas

A proposta da educadora foi muito bem aceita pelos alunos. Tanto que, a maioria se mostrou muito interessada e empolgada com as formas que se revelavam a cada traço. E, rapidamente, todos enveredaram na construção de suas próprias mandalas. “O colorido vibrante realçava os contornos e os traçados geométricos. O espírito investigativo estava a todo vapor. O concreto e o abstrato completavam-se”, contou a professora.

Durante a socialização das produções, os estudantes ainda validaram ou negaram propriedades relevantes, tornando-se centro da aprendizagem. Nesse momento, eles  produziram, refletiram e registraram conclusões ou dúvidas acerca das ideias e conceitos abordados na sala de aula.

E, diante de tanta vibração e encantamento das formas por parte dos participantes do projeto, temos a alegria de compartilhar que o mesmo se estenderá por mais duas etapas:

1- A confecção de um livreto de mandalas para colorir

2-A produção de mandalas humanas.

 

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Missão Jovem SCM: saiba como foi um de nossos intercâmbios solidários

por Isabella Loureiro

IMG_1040A Rede Sagrado – Colégios Sagrado Coração de Maria realiza anualmente a Missão Jovem SCM – Intercâmbio Solidário, considerada uma das mais importantes estratégias de aprimoramento do protagonismo juvenil, do autoconhecimento, da elaboração do projeto de vida, da vivência da fé e da alteridade entre os adolescentes e jovens. Trata-se de um projeto que leva estudantes e educadores  para vivenciar outras realidades, costumes e maneiras, proporcionando a educação do olhar para o outro e a vivência da partilha, motivando o desenvolvimento de iniciativas proativas frente a problemas políticos e sociais contemporâneos.

A ação envolve jovens estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental à 3ª Série do Ensino Médio, educadores do CSCM, bem como jovens e adultos das comunidades que acolhem o trabalho que, em sua essência, fundamenta-se na prática da solidariedade e do estabelecimento de parcerias.

A oportunidade de, durante alguns dias, inserir-se como voluntário em uma realidade IMG_1189social diversa da sua tem educado muitos jovens estudantes para o exercício da cidadania. Além dessa perspectiva, por utilizar uma abordagem interdisciplinar e transdisciplinar, a Missão Jovem SCM – Intercâmbio Solidário se torna mais uma estratégia de formação acadêmica, pois favorece a aplicação direta ou indireta dos conhecimentos das diversas áreas nas ações de intervenção e ou observação da realidade, além da construção de novos conhecimentos a partir da vivência de outras realidades e costumes. Acerca disso, Sérgio Andrade, Coordenador do Serviço de Orientação Religiosa (SOR) do Colégio Sagrado Coração de Maria de Belo Horizonte (CSCM-BH) complementa: “Assim como a excelência acadêmica é fruto de aprendizagens, a educação para a solidariedade também requer processos de formação e experiências, que acontecem no dia a dia das relações”.

missionarios-conhecendo-a-vida-das-lavadeiras-de-janaubaNas três últimas edições da Missão Jovem SCM – Intercâmbio solidário (2013, 2014 e 2015) os estudantes e professores do CSCM-BH vivenciaram a experiência de intercâmbio em Curvelo-MG, no entorno do projeto socioeducativo mantido pelas Religiosas do Sagrado Coração de Maria. Em 2016, a Missão Jovem completou 15 anos e os missionários retornaram à cidade onde tudo começou: Janaúba, no Norte de Minas.

Durante seis dias, entre 8 e 14 de julho, 26 missionários – estudantes e educadores do CSCM-BH – foram acolhidos pelas comunidades de Janaúba, iniciando a experiência do intercâmbio solidário. Os missionários se dividiram em grupos e, a cada manhã, elaboravam o planejamento de ações a serem realizadas ao longo do dia. A programação incluiu visitas às famílias, escolas e asilos das comunidades, além de momentos formativos junto aos educadores e jovens, atividades recreativas com as crianças, dentre outras intervenções solidárias.

Assim como nas edições anteriores, antes de retornarem para suas rotinas em Belo IMG_1166Horizonte, os missionários se reuniram para um momento de partilha e avaliação geral das vivências desse intercâmbio, quando socializaram as experiências, sensações, percepções, motivações e lições que a Missão Jovem – SCM proporcionou para suas vidas. A conquista de novos aprendizados e valores a partir da vivência com o outro foram alguns dos aspectos mais citados neste momento de encerramento.

Para a comunidade de Janaúba, o intercâmbio foi igualmente transformador. Para líder da comunidade Santa Cruz, Elismirtes Maria de Morais, foi uma experiência nova. “Quis mostrar uma realidade diferente, mas lamento não ter tido todo o tempo disponível para acompanhar os jovens. Para nossa Paróquia, foi muito rico”.

A jovem Vanessa Marques, também de comunidade de Santa Cruz, reuniu todos os seus sentimentos no depoimento a seguir:

Alegria, coletividade, aprendizado, fé, amor, muitas são as palavras que posso usar para definir o que foi a Missão Jovem, mas uma que insiste em vir ao meu pensamento toda vez que lembro dessa experiência é gratidão. Sou muito grata por tudo que vivi no decorrer desses 6 dias.

Sou de Janaúba e já participei de algumas missões aqui na minha cidade e em outras também, mas nunca havia vivenciado uma com tamanha disposição e generosidade de todos os envolvidos. Foi bonito de ver uma juventude com um senso de ajuda tão grande, a preocupação com o outro. Sorrisos eram inevitáveis, todos juntos levando fé, esperança e palavras de conforto para aqueles que precisavam. A troca que tivemos foi algo único! Aprender na simplicidade torna tudo mais bonito e foi isso que aconteceu. A satisfação no olhar dos moradores ao receberem nossas visitas foi algo extremamente emocionante. Os encontros, as orações, o louvor… Tudo feito com imenso carinho, fez com que a Missão se tornasse ainda mais especial.

Agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de participar ativamente. Aprendi muito e espero ter ensinado também. Até breve! Espero encontrá-los logo! Um grande abraço.

 

Aprendizagem significativa embasa nova proposta curricular de História

Em junho, a equipe do Centro Administrativo Educacional da Província (CAEP), coordenadoras pedagógicas gerais, coordenadoras pedagógicas de segmento e alguns professores de História das cinco unidades da Rede Sagrado se reuniram em Belo Horizonte para dar continuidade à revisão da proposta curricular da disciplina, iniciada há dois anos. Convidamos os professores Eduardo França Paiva* e Adriane Vidal Costa**, ambos da UFMG, para acompanharem o encontro e para comentarem a proposta. Entre os aspectos inovadores do novo currículo, está o trabalho com uma proposta de aprendizagem significativa, com menos memorização dos conteúdos, mais problematizações e análise de conceitos.professores-eduardo-e-adriane

Em entrevista para o blog da Rede Sagrado, os professores opinam sobre o viés da nova proposta curricular de História.

BRS: Qual é o aspecto mais inovador na nova proposta curricular de História?

Adriane: Vejo que é trabalhar com uma proposta de aprendizagem significativa, com menos memorização dos conteúdos de História, mais problematizações e análise de conceitos. Isso rompe com uma visão mais tradicional do ensino de História e obviamente apresenta novos caminhos para uma proposta curricular diferenciada.

Eduardo: Acho que há alguns aspectos, não diria inovadores, mas atuais, em torno do se pensar História. O melhor da proposta é que estamos tentando implementar uma percepção, uma discussão histórica com uma perspectiva de diversidade, de pluralidade e de problematização do acontecimento e do processo histórico.

BRS: Seria um rompimento com aquela disciplina que aprendemos na escola há alguns anos?

Adriane: Isso.  A História que aprendíamos na escola há alguns anos era uma História mais vinculada ao conteúdo e aos fatos, sem muita problematização e muito pautada na memorização. Passar a trabalhar com aprendizagem significativa, portanto, significa que o conhecimento precisa ter sentido para aquele que está aprendendo.

BRS: Então isso envolve o desenvolvimento da capacidade de análise do estudante. Não apenas de decorar o que aconteceu?

Eduardo: Exatamente. Não existe essa perspectiva de decorar fatos, decorar nomes, decorar datas. A perspectiva é de compreensão do processo histórico que se desenvolve no tempo e no espaço, mas que é lido também no tempo e no espaço, seja no momento em que ele está ocorrendo, seja posteriormente. A História com H maiúsculo, ou seja, a disciplina História, aquilo que o historiador escreve. Compreender o ocorrido, a análise sobre esse ocorrido é a perspectiva de ensino mais relevante desta nova proposta curricular da Rede Sagrado.

BRS: Nesta perspectiva, então, o ensino de História dialoga também com outras disciplinas, como Sociologia, Filosofia e os próprios fatos históricos em si.  É este o grande alinhamento com a prova de ciências humanas do ENEM, por exemplo?

Eduardo: É possível que sim, a partir do momento em que nós entendemos esse ensinar História associado a um campo mais amplo de formação. O diálogo com outras áreas, como a Sociologia, a Filosofia, a Geografia se dá, principalmente, quando nós operamos os conceitos na História. A História não é uma ilha que se basta, que se isola, ela é resultado justamente dessas conexões com outras áreas.

BRS: Qual a contribuição do componente curricular de História para a formação dos alunos?

Eduardo: Eu entendo que é mais do que fundamental. É imprescindível estudar a História não apenas na sequência de fatos ou na linearidade. Não é isso que nós queremos. Queremos ver a História como um campo específico do conhecimento, que traz aos alunos a possibilidade da compreensão de como homens e mulheres atuam, socialmente, e em todas as dimensões dessa atuação. Por isso, a questão conceitual é tão importante nessa nova proposta, ela nos ajuda a entender como, ao longo do tempo, aquelas atuações histórias se transformaram também em objeto da História como campo científico, campo do conhecimento, disciplina. Então o conceito é quase um elo que liga o ocorrido à análise desse ocorrido, sendo fundamental na formação dos alunos. Uma formação sem essa habilidade de entender no tempo e no espaço as ações humanas é uma formação falha, a meu ver.

BRS: Quais seriam os conceitos fundantes da proposta?

Adriane: Os conceitos fundantes da proposta de História são agente, espaço e tempo, trabalhados conjuntamente. São eles que fundam, de alguma forma, o conceito histórico e por isso precisam estar diluídos em toda a proposta de ensino. Eles irão aparecer na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, perpassam toda a proposta curricular. Consequentemente, em torno desses conceitos fundantes, há também conceitos estruturantes, que não são menos importantes.

BRS: E quais são os conceitos estruturantes?

Adriane: São vários. E eles se repetem, obviamente, em alguns segmentos. São muitos, porque eles estruturam não só o conhecimento histórico, mas a própria forma de se ensinar História.  Temos conceitos estruturantes como cultura, política, imperialismo… Enfim, uma grande variedade.

BRS: Como vocês relacionam o entendimento da História aos debates que presenciamos em torno da luta pelas igualdades social, racial e de gênero?

Adriane: É fundamental ter um conhecimento da nossa História. Hoje, é comum acompanharmos debates embasados apenas por noções do senso comum. Uma das importâncias que a História tem é a de ajudar a embasar e a dar argumentos consistentes para esses debates. Para que eles não fiquem apenas na superfície dos temas.

Eduardo: Penso na perspectiva de se compreender historicamente como essas questões foram formuladas, operadas, propostas, modificadas e debatidas. Enfim, a nossa perspectiva de ensino de História parte do pressuposto de que é preciso compreender historicamente como todas essas ações e reações são construídas, elaboradas e praticadas. Por isso, a História dos conceitos é tão importante para analisarmos em diferentes tempos e diferentes espaços como todas essas questões aparecem, reaparecem, se distanciam ou somem.

BRS: Quais os benefícios da construção coletiva para esta proposta?

grupo-de-discussao-proposta-curricular-de-HistóriaAdriane: Essa construção é fundamental. A participação dos professores e dos pedagogos nesta proposta garante, não só a qualidade do resultado final, mas uma participação efetiva no fomento aos debates que irão aparecer depois, na proposta final. Isso é muito interessante e é uma iniciativa que partiu da própria Rede Sagrado.

Eduadro: Isso é o princípio básico, porque espera-se que resulte daí um currículo que seja adotado de bom grado pelos professores. Então, a melhor maneira de fazer com que este novo currículo seja um instrumento importante no cotidiano do ensinar História é envolver todos esses agentes: professores, pedagogos, alunos, pais de alunos, convidados a opinar sobre ele. Enfim… Todos que compõem o ambiente escolar. O currículo, assim, será de todos.

BRS: Adriane, como professora do curso de História da UFMG, qual o seu principal desafio na formação de novos educadores da área?

Adriane: O principal desafio é mostrar como a nossa profissão ainda é importante. É um  grande desafio mesmo, mostrar para os alunos que estão iniciando o curso de licenciatura que a profissão, apesar de não ser muito valorizada, é extremamente dignificante e importante para a sociedade. Faz parte, inclusive, do trabalho do professor, mostrar como é importante a sua função na escola, nos grupos, na sociedade de forma geral.

BRS: Eduardo, para você que estuda Iconografia, qual a contribuição desta área para o trabalho de revisão da proposta curricular de História?

Eduardo: É importante dizer que quando falamos de Iconografia, não falamos de sinônimos de ilustração, de figurinha, de imagem pueril, de imagem solta. A Iconografia é um campo específico de estudos das imagens, dos ícones. É a escrita do ícone. Há toda uma metodologia e um corpus conceitual a partir dos quais essa área é trabalhada, é pensada. A grande questão é que, de uns tempos para cá, há uma resistência menor por parte dos historiadores e dos professores de História em trabalharem com as imagens como fontes e como objetos de estudo da História, como fontes do historiador. Portanto, há certa paixão entre os professores de História e os historiadores por essa fonte que, durante muito tempo, foi tratada só como ilustração ou como figurinha. Quando a Iconografia se transformou numa fonte, em documento que expressa as realidades históricas, os agentes históricos, os comportamentos, as atitudes, as ações e os projetos, ela passou a ter outro status. A imagem ficou algo muito mais importante. E isso tem realmente chamado muito a atenção dos historiadores, dos professores de História e também dos alunos, porque cada vez mais nós vivemos um mundo imagético, profundamente imagético. Então é um diálogo novo que se estabelece também na sala de aula, com e entre esses alunos, que são parte desse mundo absolutamente imagético, freneticamente imagético.  Alunos que entram numa sala de aula para aprender História, muitas vezes, em uma perspectiva antiga de leitura, de discussão e depois de prova. Uma perspectiva muito afastada desse mundo imagético de que falamos. A imagem nos ajuda muito a aproximarmos esse mundo dos alunos da sala de aula; é por isso que ela tem desempenhado um papel cada vez mais importante na área da História.

*Sobre os professores

adriane-vidal-costaAdriane Vidal Costa cursou graduação em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (1999), mestrado (2003) e doutorado (2009) em História pela mesma instituição. É professora adjunta do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais. Desenvolve o projeto de pesquisa “Dimensões culturais e políticas do exílio latino-americano”. Tem experiência na área, com ênfase em História da América, atuando principalmente com os seguintes temas: História e culturas políticas; História intelectual; Historia e literatura; esquerdas latino-americanas; movimentos sociais na América Latina.

eduardo-franca-paivaEduardo França Paiva possui graduação em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (1989), mestrado em História pela UFMG (1993) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (1999), com estudos pós-doutorais na Escuela de Estudios Hispano-Americanos/CSIC, Sevilla (2012/2013) e na École des Hautes Études en Sciences Sociales-EHESS, Paris (2006/2007). É Professor Titular da UFMG e diretor do Centro de Estudos sobre a Presença Africana no Mundo Moderno-CEPAMM-UFMG. É pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, bolsista do Programa Pesquisador Mineiro da FAPEMIG, líder do grupo de pesquisa UFMG-CNPq, co-coordenador da Rede de Grupos de Pesquisa Escravidão e Mestiçagens; co-coordenador do Fórum Permanente Universitário Portugal e Brasil: conexões e problemáticas dos mundos moderno e contemporâneo-FórumPB (Universidade de Évora-UFMG). Foi professor visitante na Katholieke Universiteit Leuven (2006), na Universidad Pablo Olavide-Sevilla (2009 e 2010), na Universidad de Sevilla (2013) e Pesquisador Visitante na Escuela de Estudios Hispano-Americanos de Sevilla (2007, 2009 e 2010). É Investigador Associado ao Centro de História da Universidade de Lisboa. Criou e é o editor da coleção História &… Reflexões (Editora Autêntica, Belo Horizonte). Coordena acordos internacionais de cooperação – UFMG-EEHA, UFMG-Universidad de Sevilla, UFMG-Universiteit Antwerpen. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil colonial e conexões com África, América espanhola e Europa, abordando, principalmente, os seguintes temas: escravidão, história social da cultura, mestiçagens, trânsito material e cultural, História & iconografia.

Os alquimistas estão chegando: estudantes do CSCM – Brasília transformam óleo de cozinha usado em sabão

“Quanto maiores forem as dificuldades para uma coisa, mais valiosa ela é para nós.”
(Pe. Gailhac)

Faz parte do projeto pedagógico da Rede Sagrado – CSCM pensar a educação a partir de uma perspectiva multidisciplinar, capaz de abranger as diversas áreas do conhecimento. A Fábrica – Escola de Sabão, construída por estudantes da nossa unidade de Brasília, é um bom exemplo de como disciplinas como Química, Matemática e Biologia, somadas a noções de empreendedorismo e ao tema iluminador do JPIC 2015 “Eu vim para servir”, trabalhado pelo Serviço de Orientação Religiosa, podem resultar em um projeto sustentável incrível de transformação do óleo de cozinha usado em sabão. Conversamos com o professor de Química responsável pelo projeto, Luís César de Oliveira, estudantes e equipe do colégio para saber um pouco mais sobre a criação, o trabalho e os planos da Fábrica de Sabão.

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BRS: Quando surgiu a fábrica de sabão?

Luís César: A Fábrica-Escola de Sabão surgiu da ideia de dois grupos orientados por mim na Mostra Científico- Cultural (MCC). Um grupo abordou problemas ambientais causados pelo descarte indevido do óleo usado de cozinha. O outro grupo abordou a transformação do óleo usado de cozinha em biodiesel. O projeto trouxe o tema iluminador “Eu vim para servir”, do JPIC 2015, para o cotidiano dos alunos, com apoio do Serviço de Orientação Religiosa – SOR. O objetivo era trabalhar a sustentabilidade, além de promover o desenvolvimento social e cognitivo dos estudantes.

BRS: De que forma a fábrica de sabão contribui para o colégio?

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Luís César: A Fábrica contribui otimizando a despesa do Colégio com a compra de materiais de limpeza, já que agora produzimos o sabão. O projeto auxilia na amenização do impacto ambiental causado pelo descarte incorreto do óleo e na conscientização de um ambiente sustentável por parte da comunidade acadêmica (colaboradores e alunos) e familiares da escola. Além disso, o projeto permite que os alunos exercitem o conhecimento apreendido em sala de aula, no processo de transformação do óleo usado em sabão no laboratório do Colégio.

BRS: Quantos litros de óleo são arrecadados por semana? Em quantos litros de sabão eles são convertidos?

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Luís César: Arrecadamos, mensalmente, a média de 20 litros de óleo descartados no nosso posto de coleta, e isso gera a média de 400 litros de sabão concentrado.

BRS: Quais outras matérias primas são necessárias?

Luís César: Além do tradicional hidróxido de sódio, utilizamos como matéria-prima álcool etílico como catalisador, agentes surfactantes e dispersantes.

BRS: De que forma a multidisciplinaridade é trabalhada junto aos estudantes?

foto: CSCM-Brasília

Luís César: Além da química, presente na reação de saponificação, a Fábrica- Escola de Sabão trabalha o Empreendedorismo nas questões da dinâmica e da realização do Projeto; a Comunicação e Marketing ao promover e divulgar a campanha para a comunidade acadêmica; a Matemática quando se trata dos cálculos relacionados à quantidade de reagentes e ao rendimento do produto; e a Biologia, encontrada no estudo dos prejuízos do óleo no ecossistema.

BRS: Há parcerias externas? Quais?

Luís César: Temos uma parceria com a equipe de químicos da Universidade de Brasília- UnB, com a arrecadação de material para a confecção do sabão. Ainda não temos outras parcerias, mas não existe nenhum impedimento.

BRS: Como é feita a seleção de estudantes que trabalham na fábrica de sabão?

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Luís César: Não temos nenhum processo seletivo, mas só permitimos, no processo de fabricação do sabão, alunos a partir do 9º Ano do Ensino Fundamental II, quando a disciplina de Química começa a ser abordada. Mas na campanha de divulgação do posto de coleta do óleo e na mobilização das famílias, todos os estudantes podem ajudar.

BRS: Quem pode fazer parte do projeto?

Luís César: Alunos que tenham aptidões na área de Química, disponibilidade e vontade de trabalhar. A única exigência é que o estudante seja comprometido com a causa e disposto a fazer diferença na comunidade educativa e na sociedade.

BRS: Há algum projeto de expansão da fábrica?

Luís César: Sim, existem projetos que visam à continuidade e expansão da Fábrica-Escola de Sabão, tais como: a utilização do sabão no Projeto Vida Pe. Gailhac, de forma que o projeto em questão seja autossuficiente em produtos de limpeza; a expansão da campanha do descarte correto do óleo usado para locais sede de ações sociais promovidos pelo SOR; o desenvolvimento de sabonetes de higiene para o uso nos banheiros do Colégio; a implementação deste Projeto em todas as unidades da Rede Sagrado, e, por último, a produção de essências com plantas do Cerrado e corante para a confecção do sabão. Para isso tudo, a Fábrica- Escola de Sabão está em processo de construção e se tornará uma empresa júnior dentro da instituição, sem fins lucrativos, somente sociais.

Aspas. Confira os depoimentos de quem faz parte do projeto:

Natália Azevedo – estudante do 2°B, do EM
Desde o início do projeto, o grupo se sentiu desafiado a colocar em prática a teoria proposta. Ao decorrer do tempo, com o apoio da direção, da coordenação do SOR e, principalmente, do professor-orientador, o objetivo saiu do papel e nos encheu de orgulho. Participar desta iniciativa me fez perceber o quanto as ciências, estudadas em sala de aula, estão presentes em nosso cotidiano. Colocar em prática este conhecimento científico, em prol de uma mudança significativa e sustentável na comunidade, deu sentido ao aprendizado, e este, portanto, tornou-se mais claro, amplo e prazeroso.

Professor Luís César de Oliveira – Professor de Química
Vivenciar a motivação dos alunos com o Projeto e a dedicação deles para que cada dia mais a Fábrica-Escola se aperfeiçoe e renda mais frutos dos que já vem rendendo, não tem preço. Como educador, meu papel é multiplicar conhecimento e conscientizar meus alunos da importância de levar uma vida mais sustentável, de poluir menos o meio ambiente, de economizar sendo ecológico e aprimorar o espírito protagonista neles. O Projeto não trata somente de coletar o óleo usado e transformá-lo em sabão, mas de motivar os jovens a se tornarem empreendedores e transformadores sociais, de fazer a diferença na comunidade educativa, nas suas casas, na sociedade.

Guilherme Andrade: Diretor Geral do Colégio Sagrado Coração de Maria de Brasília
O projeto Fábrica-Escola de Sabão, além de tratar-se de uma inovação, envolve vários elementos protagonistas: o empreendedorismo, a sustentabilidade e o trabalho em equipe, além da prática da Visão, Missão e Valores da Instituição. É fundamental que o processo de aprendizado ultrapasse as fronteiras da teoria e promova vivências multidisciplinares, motivando, envolvendo e preparando os alunos para um futuro cada vez mais desafiador. A Direção está sempre aberta a receber propostas inovadoras dos seus alunos e acadêmicos e colocá-las em prática. Este é um grande diferencial da nossa Escola. Quebramos paradigmas, transformamos a sociedade e, consequentemente, as nossas vidas.

Entrevista com André Fran sobre Crise Migratória na Europa

Autor e apresentador participou do Projeto Atualidades, na Feira Literária do Colégio Sagrado Coração de Maria-RJ

por Natasha Franco, assessora de comunicação estratégica do CSCM-RJ

andre-fran-no-cscm-rj (3)A Feira Literária do Colégio Sagrado Coração de Maria do Rio de Janeiro (CSCM-RJ), no dia 21 de maio, foi permeada por cultura em forma de histórias, exposições, peças teatrais, shows e palestras. No espaço multimídia da escola, educadores, pais e alunos do 9º ano ao Ensino Médio aguardavam ansiosos pelo debate sobre “Crise migratória na Europa”, com André Fran. Ele é autor do livro “Não Conta Lá Em Casa – Uma Viagem Pelos Destinos Mais Polêmicos Do Mundo” e apresentador dos programas “Não Conta Lá Em Casa”, exibido pelo canal Multshow, e “Que Mundo é Esse”, pela Globo News.

CSCM-RJ: Você começou o encontro falando a respeito dos locais que já tinha explorado, como África do Sul, Tailândia, Iraque, Ucrânia e Turquia, entre tantos outros, com seus dois amigos, Felipe Ufo e Michel Coeli. Poderia compartilhar alguns dos momentos de destaque durante estas jornadas?

André Fran: Durante as gravações, fomos à Chernobyl, depois que liberaram a entrada. Lá, chegamos o mais próximo que pudemos do reator explodido. Visitamos a Indonésia após o tsunami. Conhecemos também o povo do Curdistão, que luta pelo direito de ter um país. Fomos ao maior lixão eletrônico do mundo, que produz uma poluição muito grande, que se espalha até para outros países. Em tempos de superprodução e desperdício, os ditos desenvolvidos usam brechas e isso tudo vai para esse lugar. No entanto, queríamos também mostrar uma outra África, pouco divulgada. Conhecemos pessoas que estão fazendo a diferença naquele lugar. Gravamos um programa sobre o combate a epidemias de ebola, chicungunha e zika no Senegal, onde se encontram os principais cientistas sobre o assunto, que inclusive estão ajudando muito a outros países.

CSCM-RJ: Quais são os objetivos dos programas?

André Fran: Um dos objetivos principais dos projetos é fazer o público telespectador avaliar os diferentes cenários sociais e políticos do mundo, porém de maneira mais ampla. Acreditamos muito na força desse questionamento. Queremos comprovar se aquilo em que a gente acredita é isso mesmo. Tentamos influenciar esse questionamento a respeito de temas como preconceito e limites territoriais.

CSCM-RJ: Por que o sentimento de solidadriedade foi um dos incentivos para a realização dos programas?

André Fran: O interesse era conhecer, mas queríamos ajudar de alguma forma, mas somos só três pessoas na equipe. Misturamos jornalismo com reality show porque informamos ao mesmo tempo em que vivenciamos aquilo tudo. Nós demos carona para refugiados. Olha que doideira isso! Estrangeiros e ainda dando carona para refugiados? Mas é humanamente impossível você não se render àquele cenário e ajudar! Eles iam, de madrugada, andando quilômetros para tentar ultrapassar as fronteiras.

CSCM-RJ: Por qual motivo, na Grécia, você e seus companheiros se surpreenderam ao presenciar a chegada de muitos barcos?

André Fran: Essa crise já existe há muito tempo, mas somente ganhou visibilidade porque foi para a Europa. Quando estávamos a caminho, nos perguntávamos: será que vamos ver algum barco chegando? Nós vimos no mínimo dez barcos atracando ali por dia! Era toda hora! Sem enfermagem, primeiros socorros, salva-vidas, nada. Somente voluntários. Tinha hora que chegava barco e estávamos só nos três ali.

CSCM-RJ: Poderia nos revelar mais detalhes da viagem feita ao Iraque?

André Fran: Na fila de turistas para entrar no país, só havia três pessoas: meus dois amigos e eu. Pelo menos ingressamos de forma rápida (risos). Nós conseguimos mostrar um Iraque verdadeiro. Um Iraque com resquícios de guerra. No para-brisas do táxi que pegamos logo no desembarque, havia um buraco de bala enorme. Depois, a Babilônia estava fechada, tinha sofrido um atentado no dia anterior. Mesmo assim insistimos e conseguimos entrar no palácio de Saddam Hussein, que tinha sido tomado pelos americanos na época da guerra. Éramos só nos três num palácio enorme. A janela do Saddam era enorme, do tamanho dessa sala, de onde pudemos ver a Babilônia inteira. Detalhe: com vários heliportos construídos pelos americanos, bem ali no berço da civilização. Dá pra acreditar nisso?

Mãe do aluno Felipe, da 1ª série do EM, Celeste Araújo: Vocês já foram foram à Síria?

André Fran: Síria, ainda não. Mas gravamos um programa sobre o povo curdo, que ocupa países próximos. Vivenciamos as eleições turcas parlamentares, quando pela primeira vez os curdos teriam representantes no parlamento. Mostramos a festa nas ruas da Turquia. No Iraque também tem uma região dos curdos. A tendência é que se separem devido à independência econômica, ao petróleo existente na região e ao investimento estrangeiro. Possuem até presidência. Só falta oficializar. Não fomos à Síria e nem ao Irã porque naquele momento não faziam parte da história que estávamos contando.

Aluna da 2ª série do EM, Isabela: Como se sente quando volta dessas viagens?

André Fran: Na volta, no avião, que não tem internet, é o momento do baque. É nessa hora que eu me organizo mentalmente, mesmo abalado. Que eu paro pra escrever e penso em como dirigir o programa.

Aluno do colégio e hoje estudante de Direito da UFRJ, Bernardo Camargo: Por qual motivo nunca fizeram uma produção na América do Sul?

André Fran: A região já faz parte dos planos da equipe. Nossos vizinhos desconhecidos, como Suriname e Haiti. As pessoas escutam Suriname e perguntam se fica na Ásia. São áreas que estão em nossos planos, sim.

CSCM-RJ: Qual mensagem final você deseja deixar para os nossos jovens?

andre-fran-no-cscm-rj (1) André Fran: Se três amigos conseguiram alcançar seus objetivos, independentemente das condições ou da distância, isso significa que todos são capazes de realizar seus sonhos. A gente conhece desde ex-terrorista e líder guerrilheiro a Nobel da paz, ministros e presidentes, entre tantas outras personalidades. É possível. Se você se dedica e acredita, você consegue fazer a diferença. Quem quiser assistir aos programas do “Que Mundo É Esse?” e “Não Conta Lá Em Casa”, basta acessar os canais da Globosat Play na internet. Tem tudo lá. Os dois são diferentes, em canais diferentes, mas com um mesmo DNA. Acreditamos muito na questão de fazer a diferença com os nosso programa.

Conversamos também com a professora de História do Ensino Médio do CSCM-RJ, Carla Meliga, que estava presente e apreciou muito o debate. Confira a entrevista a seguir.

CSCM-RJ: Para você, qual foi um dos momentos de maior destaque durante a apresentação do André Fran?

Professora Carla Meliga: Quando ele falou falou a respeito da condição financeira dos refugiados. Realmente, a maioria dos imigrantes, principalmente os sírios, que vão para os países ditos de primeiro mundo na Europa são pessoas com profissão, são mais qualificados. Quem chega de barco, mesmo em condições precárias, precisou pagar pelo translado de 40 km, que é caríssimo. Os pobres chegam a pé pela Turquia e tentam a vida nos países vizinhos, como Irã ou Jordânia. O que eles querem é sair do conflito na Síria. Muito interessante a parte do filme apresentado na palestra, quando eles perguntam a um afegão recém-chegado ao litoral grego o que ele espera, e ele responde: “um lugar que tenha paz”.

CSCM-RJ: O que você pensa a respeito da divulgação da crise dos refugiados?

Professora Carla Meliga: A questão dos refugiados, de guerras e ditaduras, conforme o próprio André falou, sempre existiu. A grande dimensão de agora é porque a crise chegou ao primeiro mundo europeu. Não se lembram de Kosovo? Ou do massacre da Sérvia, que gerou muitos refugiados e não teve a mesma repercussão? Outro ponto que precisa ser avaliado é a França, berço da igualdade, fraternidade e liberdade, não querer os refugiados. Que mundo é esse?

CSCM-RJ: O próximo projeto de viagem do grupo é para os Estados Unidos. De acordo com André, o objetivo é conhecer locais que o capitalismo arrasou.

Qual é a sua opinião sobre? Professora Carla Meliga: É um aspecto bastante interessante a ser analisado. Conforme ele disse, há cidades que eram prósperas, como Detroit e Chicago. Eles poderão comparar o que deu certo e o que deu errado no sistema capitalista, dentro do coração do próprio sistema que o criou.

CSCM-RJ: A palestra integra a programação do Projeto Atualidades, desenvolvido com os alunos do no Ensino Médio do CSCM-RJ. Quais dicas de temas para o ENEM e vestibulares os estudantes puderam verificar, a partir desta oportunidade?

Professora Carla Meliga: Como nos anos anteriores, migrações, refugiados sírios, primavera árabe, a crise Iraque x EUA e a situação do leste europeu são assuntos que certamente serão abordados. Para 2016, sugiro verificarem sobre as novas políticas de imigração na França e na Alemanha. Como esses países absorverão essa massa migratória?

A coordenadora pedagógica geral do CSCM-RJ, professora Rosana Cattete, também comentou a participação de André Fran. “Para desenvolver o senso crítico e aumentar o repertório cultural de nossos alunos, investimos esforços no sentido de oferecer aulões e palestras com temas que emergem da atualidade. É a segunda vez que recebemos o palestrante e escritor André Fran e, nas suas duas apresentações, pudemos constatar que estar antenado com a situação do mundo é o caminho certo para todos os estudantes que pretendem se sair bem no ENEM. Essa experiência é extremamente importante para o aluno obter mais recursos na hora de escrever seus textos.”

O momento foi muito apreciado por todos e o palestrante ficou de retornar para participar de mais uma edição do projeto. Ficamos todos, ansiosamente, no aguardo.

4 razões para você fazer um intercâmbio internacional

Desde 2013, proporcionamos aos estudantes a possibilidade de vivência de intercâmbios internacionais. Nosso diferencial, no entanto, está no fato de todo o processo ser desenvolvido e realizado junto às escolas pertencentes e/ou parceiras do Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria. Se você ainda não pensou sobre isso, nós lhe damos 4 razões para querer viver conosco esta incrível experiência.

As Marianas, estudantes colombianas, recebendo aulas de Português no CSCM-Brasília.
As Marianas, estudantes colombianas, recebendo aulas de Português no CSCM-Brasília.

1- Aprender ou aprimorar-se e em um segundo idioma:

Hoje em dia, um segundo idioma é importante não apenas para nossa vida profissional, mas porque é uma forma de conhecer e criar conexões com mais pessoas, expandindo horizontes e visões de mundo.

2- Conhecer um lugar novo:

O mundo não é tão pequeno a ponto de pensarmos que tudo gira à nossa volta, nem tão grande a ponto de imaginarmos ser impossível conhecê-lo. Viajar para um país diferente nos enriquece pessoalmente e amplia nosso repertório cultural.

3- Tornar-se uma pessoa mais independente:

Outro benefício comum citado por estudantes que já participaram de um dos intercâmbios é a independência. Aprender a se virar sem ter a família “real” por perto é, sem sombra de dúvidas, uma grande conquista.

4- Ter a vivência internacional do IRSCM:

Estudantes brasileiras brincando com a neve do inverno nova iorquino.
Estudantes brasileiras brincando com a neve do inverno nova iorquino.

Todas as nossas escolas no Brasil e no exterior foram criadas sob o carisma do fundador do IRSCM, Padre Gailhac. Logo, nossos estudantes têm a oportunidade de vivenciar este carisma numa perspectiva internacional. “Para que todos tenham  vida e vida em abundância” no mundo inteiro.

Você pode acompanhar um pouco da aventura dos intercambistas acessando o blog intercambiorscm.blogspot.com.br. Para acesso aos editais  de seleção das próximas edições do programa, basta acompanhar os sites da Rede Sagrado e os murais da sua escola.